PL rejeitou qualquer possibilidade de um acordão com interlocutores do Judiciário que tivesse como contrapartida poupar Alexandre de Moraes e Flávio Dino de processos de impeachment no Senado. Para a cúpula do partido, esse ponto é inegociável, mesmo diante da possibilidade de avanços em temas de interesse da direita, como a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro ou uma eventual revisão da inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
A posição ganhou ainda mais peso após o resultado das urnas e o fortalecimento da oposição no Congresso. Segundo as articulações de bastidores relatadas nesta terça-feira (6), o PL calcula já existir um grupo de 49 senadores favoráveis ao impeachment de Moraes. Para que um ministro do Supremo seja efetivamente condenado e perca o cargo, são necessários 54 votos, equivalentes a dois terços do Senado.
Moraes permanece como o principal alvo da bancada, mas Flávio Dino também entrou definitivamente nos planos do partido. A intenção é reagir politicamente caso decisões ou investigações conduzidas pelo ministro atinjam deputados e senadores da oposição, especialmente em questões envolvendo emendas parlamentares e eventuais apurações relacionadas às eleições.
A estratégia agora passa pela nova composição do Senado, que assume em 2027. Com uma bancada de direita maior, o PL entende que finalmente poderá existir força política suficiente para tirar do papel pedidos que durante anos permaneceram parados na Casa.
Nos bastidores, portanto, a mensagem do partido é clara: anistia, Bolsonaro ou qualquer outra pauta podem ser discutidos separadamente, mas Moraes e Dino não entram na negociação. Para o PL, o impeachment dos dois é inegociável.
Informação revelada pela CNN nesta terça-feira, 6 de outubro, expõe as movimentações que começaram nos bastidores de Brasília depois do resultado das urnas; uma ala do STF estaria buscando diálogo com o bolsonarismo diante da nova composição do Senado e da ameaça de impeachment de ministros da Corte.
Mas o PL rejeitou o “acordão”.
A CNN informa que o partido não pretende negociar a permanência de Alexandre de Moraes e trabalha para levar adiante seu impeachment em 2027.
Há outro detalhe politicamente importante; segundo Caio Junqueira, a manifestação de Michel Temer em apoio a Flávio Bolsonaro foi interpretada nesse contexto como um dos primeiros gestos para estabelecer pontes. Temer indicou Moraes ao STF em 2017 e é apontado pela CNN como elo político entre o ministro e a família Bolsonaro.
Temer precisava compreender o recado que saiu das urnas. Hoje, essa informação torna a discussão ainda mais relevante.
Durante a campanha, o impeachment de ministros do STF tornou-se explicitamente uma pauta eleitoral do próprio Flávio Bolsonaro. A direita concentrou esforços também na eleição de senadores, justamente porque é ao Senado que cabe processar e julgar ministros da Suprema Corte por crimes de responsabilidade.
Portanto, qualquer tentativa de composição terá de enfrentar um fato político: milhões de brasileiros votaram para modificar a correlação de forças no Senado.
Se “as urnas falaram”, como disse Temer, chegou a hora de Brasília ouvi-las. O país não quer continuar refém de uma juristocracia. É hora de restabelecer os limites entre os Poderes, pacificar o Brasil e seguir em frente.


