Amplamente retratada no cinema por meio de personagens quase sempre ligados à violência física, como o canibal Hannibal Lecter do clássico “O Silêncio dos Inocentes”, a psicopatia na verdade é um distúrbio de personalidade causado por uma anomalia no cérebro, tão comum quanto a esquizofrenia. Segundo a KENT A. KIEHL, THE PSYCHOPATH WHISPER, nasce um psicopata a cada 47 segundos.
O pesquisador canadense Robert D. Hare, especialista no assunto, afirma que há muito mais deles do que a maioria das pessoas se dá conta, sendo responsáveis diretos e indiretos por uma série de crimes das mais variadas naturezas, e não só os violentos, como convencionou-se a acreditar. Estão em todos os níveis da sociedade, inclusive em cargos de alta gestão, públicos e privados. Trata-se de manipuladores hábeis e totalmente desprovidos de empatia ou remorso, podendo colocar a culpa de um malfeito inclusive em parentes próximos, como um irmão.
O psicopata se utiliza das mais variadas e ardilosas estratégias para alcançar os seus objetivos, inclusive cooptando aliados para a sua “causa”, o que o pesquisador Robert Hare chama de “peões”. Como exemplo, podemos citar aquele psicopata que vai convencendo aos poucos dois parceiros de serviço de que um terceiro é relapso e desatento, mesmo às vezes não sendo verdade. Para isso, enfatiza e potencializa pequenos erros em conversas individuais, além de lançar mão de armações e de seu carisma habitual, até que consiga ter a chancela e cumplicidade dos “peões”, que passam a ser seus aliados incondicionais.
O psicopata objetifica as pessoas, fazendo uso delas apenas para o alcance dos seus intentos, sendo descartadas sem cerimônia após o sucesso da empreitada.
A mudança de rumo pode ser adotada por eles sem problemas quando é descoberto ou confrontado, por isso geralmente optam pelos mais frágeis e acessíveis, usando uma das suas principais características, que é a de identificar portas de entrada: carências e defeitos alheios.
Por óbvio, não são todos os manipuladores que podem ser enquadrados nesse distúrbio de personalidade, alguns indivíduos até ostentam traços de psicopatia, mas como não estão isentos do remorso, culpa, arrependimento, não podem ser categorizados como tal. Esses são enquadrados no máximo como sociopatas, que seria uma espécie de nível mais brando do distúrbio.
Agora a pergunta que não quer calar: como me defender? Primeiro, é importante saber que ninguém é imune às ações implementadas pelo psicopata, contudo, confrontar desvios de comportamento ao menor sinal deles já é um grande passo para rechaçá-los. Ser assertivo ao defender as suas posições, ter uma postura autogerenciável, que em outras palavras é saber muito bem o caminho que deseja trilhar, descartando suposições e agindo na certeza e previsibilidade o máximo que puder, já são ótimas medidas para não se tornar um “alvo” direto ou mesmo um “peão”.
Fonte e recomendação de leitura sobre o assunto: livros “Mentes Perigosas” de Ana Beatriz Barbosa Silva e “Cercados de Psicopatas” de Thomas Erikson.
Por Everton Moraes Concha.

Colunista Ten. Moraes – @moraespontaum
Everton Moraes
👮🏼♀️Tenente da PMES
🗣️Palestrante
👮🏼♀️Especialista em PAAR e Organizações Criminosas do ES.



