A decisão de Flávio Dino de suspender a quebra de sigilos ordenada pela CPMI do INSS contra uma empresária conectada ao círculo de Lulinha reacende uma visão cada vez mais forte em Brasília: a de que o ministro atua, na essência, como um escudo político para o lulismo. Nesta quarta-feira (4), Dino bloqueou a medida alegando ausência de motivação individualizada e reprovou a aprovação em bloco dos requerimentos na comissão. A medida provocou reações instantâneas de membros da CPMI.
Formalmente, o argumento é jurídico. Mas a verdade que se apresenta é de uma evidente intenção de gerar impacto político. Mais um obstáculo em uma apuração que se aproxima de figuras delicadas no entorno do presidente. E é exatamente esse padrão recorrente que fortalece a acusação de que Flávio Dino não ingressou no STF apenas para exercer seu papel constitucional, mas para cumprir uma função política bem definida: proteger Lula e seu grupo de exposições incômodas.
Não é novidade que decisões de Dino sejam interpretadas dessa forma por opositores do governo. Toda vez que surge um processo com risco de atingir o Palácio do Planalto, emerge uma interferência, uma liminar, uma suspensão ou uma providência que ameniza o estrago político. O verniz é legal; o desfecho, sempre, é partidário.
Em um ano de eleições, isso ganha peso ainda maior. Quando uma comissão do Congresso tropeça em barreiras judiciais justamente em assuntos que podem desgastar o Executivo, a sociedade tem todo o direito de indagar se existe equilíbrio entre os poderes ou se elementos da máquina estatal estão sendo mobilizados para gerenciar as turbulências do presidente.
Flávio Dino transcendeu o cargo de ministro do Supremo e se tornou um emblema maior: um leal aliado de Lula no coração do STF. E cada nova deliberação que favorece, de forma direta ou indireta, o círculo presidencial só consolida essa percepção nas ruas e no Parlamento.
Basta saber até quando a população irá permanecer inerte às ilegalidades jurídicas de um STF já desgastado e em muitas visões completamente corrompido.


