Quando mencionamos o termo ordem pública, seguramente a imagem mental projetada pela maioria é a do sossego e respeito às normas postas nas relações sociais. A ausência dela obviamente seria o tumulto, a confusão, a desordem em via pública, tal qual fora promovido pelo rapper Oruam, ao obstruir uma ação legal de policiais civis que tentavam capturar um adolescente infrator de alta periculosidade, em sua mansão no Joá, Zona Oeste do RJ. Naquela oportunidade, Oruam e seus amigos atiraram pedras contra os policiais, auxiliando na fuga do adolescente infrator. Logo após, o rapper seguiu para o Complexo da Penha, reconhecidamente quartel-general do Comando Vermelho.
De lá, passou a proferir ameaças desafiando as autoridades do Estado do RJ. Por fim, o rapper criminoso se entregou à polícia carioca, sendo indiciado pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, resistência qualificada, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. Mais uma vez, Oruam e a sua “tropa” composta por milhares de seguidores e alguns artistas alienados, invocam a tese batida e romantizada do pobre periférico perseguido pelo sistema opressor.
Agora vamos analisar o prejuízo no quesito ordem pública por uma outra perspectiva, aquela que só policiais ou agentes públicos que exercem alguma função fiscalizatória sentirão. Imagine quantas abordagens policiais ou mesmo ações de natureza fiscalizatória serão impactadas após um evento como esse, protagonizado pelo “narco baby” Oruam. Quantas intervenções legais serão dificultadas a partir de um incentivo completamente equivocado, fornecido por uma figura pública como esse rapaz? Desordens promovidas pelos “Oruans” sem fama Brasil afora ganham força, influenciados mesmo que inconscientemente por essa retórica glamourizada.
No livro “O poder da Persuasão”, Robert B. Cialdini cita pesquisa comprovando que apenas 5% de nós, seres humanos, são iniciadores de comportamentos, os outros 95% nada mais são do que copiadores. Isso explica o conforto cognitivo observado na esmagadora maioria ao seguirem cegamente uma ideologia ou liderança, ignorando solenemente pensamentos contrários.
Do ponto de vista da solidariedade tribalista, do sentimento de grupo lubrificado por uma pretensa afinidade, o estrago que um criminoso travestido de artista popular como o Oruam pode causar é realmente imensurável.
Aqueles que acreditam que o crime organizado ainda se limita ao enfrentamento armado como em outros tempos, estão redondamente enganados. O crime se reinventa, busca adaptar-se, como observado por meio da guerra informacional, que é talvez o maior trunfo que as facções possuem. Um artista com o microfone nas mãos, um político em uma tribuna ou um jornalista em uma bancada, fazem um estrago muito maior do que fuzis.
O sequestro de mentes, a maioria composta por jovens imaturos, sob um verniz de defesa do oprimido, do favelado, do rebelde construído pela sociedade cruel, é utilizado com maestria pelos Oruans e Pozes Brasil afora.
Como diria o sábio filósofo sofista Górgias de Leontini, um dos maiores oradores da Grécia Antiga: “A arte da persuasão ultrapassa todas as outras, e é de muito longe a melhor, pois ela faz de todas as coisas suas escravas por submissão espontânea e não por violência”.
Só reforçando os valores da família é possível desenvolver um antídoto para esse transe nefasto. Blindem os seus antes que seja tarde demais. A estação chamada narcoestado é logo ali.
Por Everton Moraes Concha.

Colunista Ten. Moraes – @moraespontaum
Everton Moraes
👮🏼♀️Tenente da PMES
🗣️Palestrante
👮🏼♀️Especialista em PAAR e Organizações Criminosas do ES.
🗣️Colunista/ Site PONTA DE LANÇA



