No dia 09/02/26, com o registro de confrontos entre torcidas organizadas dos times de futebol do Ceará e do Fortaleza após o clássico regional, a facção criminosa Comando Vermelho do Ceará divulgou um “salve”, exigindo a renúncia dos líderes das torcidas dos times envolvidos. Além disso, os criminosos proibiram os confrontos entre torcedores nos estádios.
O “comunicado” é encerrado com ameaça direta aos que ousarem descumpri-la: “A todos os líderes, comuniquem seus componentes e andem em cima da linha, pois quem desacreditar, será severamente cobrado! ”. Todos os chefes de torcida entregaram os cargos, divulgando em rede social a decisão, obedecendo ao que fora exigido pelo CV.
Voltando para o nosso amado Espírito Santo, circulou nas redes sociais na véspera do Carnaval, um comunicado de criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP) dos bairros Piedade, Romão, Forte São João, Cruzamento e Ilha de Santa Maria. Dessa vez, os faccionados solicitavam aos “amigos” que não praticassem furtos ou roubos de celulares durante o carnaval de blocos no Centro de Vitória.
Essas duas notícias, muito peculiares considerando o atual cenário nacional no que diz respeito ao crime organizado, trazem consigo uma série de possíveis análises acerca do comportamento criminoso. Mas, irei me deter em apenas duas.
A primeira opinião, usando como pano de fundo a ordem para que os líderes de torcida do Ceará entregassem os cargos e determinassem o fim das brigas nos estádios, por conta da lotação dos presídios, o que foi imediatamente cumprido, é a certeza do próprio bandido na eficiência de uma punição rigorosa e imediata. Ao contrário do que “especialistas” de terno e gravata afirmam: que cadeia pesada não funciona, não reduz índices criminais, e toda aquela balela que estamos cansados de ouvir; a certeza de uma pena certa, rigorosa e imediata, no caso dos líderes de torcida, provavelmente seria a de morte, só não irá dissuadir aquele indivíduo completamente comprometido, criminoso doentio e contumaz.
O cientista social Pery Shikida, durante a sua jornada de entrevistas com os mais diversos tipos de apenados no Brasil, obteve como resposta dos próprios presos que a solução para a redução da criminalidade seria a pena de morte e a pena longa, cumprida na íntegra, sem remissões.
Passando ao segundo caso, acrescento inicialmente para aqueles leitores que não conhecem a região citada no “salve” do TCP, sobre a atuação criminosa no carnaval do Centro de Vitória, tratar-se de autoria de “donos de morros” da própria região do Centro e entornos. Muito provavelmente, a ordem proibindo o furto e roubo de celulares é fruto do sentimento de proteção familiar por parte dos faccionados. Trocando em miúdos: a irmã, o irmão, a mãe, a prima deles, também curtem o carnaval. Ora, sofrimento para os outros, já para os meus, a bonança, a blindagem, a segurança de não serem vitimados.
Criminoso não dá um passo antes de colocar na balança o custo-benefício, e ainda surfam na onda do “vítima da sociedade”, do “viés da corresponsabilidade”, que lhes retira boa parte da culpa por suas escolhas. Teorias fajutas sustentadas por alguns idiotas úteis que povoam nossos palanques, universidades e fóruns.



