Parei de beber e fumar há exatos 6 anos, 7 meses e alguns dias. Afirmo que a sociedade está muito melhor com a minha sobriedade, pode acreditar. Contudo, todo esse debate sobre segurança pública, mais notadamente a atuação das Facções Criminosas, trouxe à tona na memória algo que era comum em minhas incansáveis jornadas pelos botecos da vida: os debates de balcão. Nos bares, todos acreditam ser técnicos da seleção brasileira, ministros da fazenda e especialistas em segurança pública. As soluções estavam sempre na ponta da língua, mesmo nunca tendo chutado uma bola profissionalmente, feito um livro-caixa ou empunhado uma arma de fogo na captura de um criminoso. Algo parecido com o papo de balcão prolifera nos noticiários e redes sociais, traduzido por falas eloquentes de engomados e engomadas que se auto intitulam especialistas e apresentam suas soluções infalíveis para o problema.
Vamos então ao top 5 do papo de boteco da segurança pública, com as minhas humildades repostas (sóbrio, claro):
“Perda de tempo essas ações nas favelas, os verdadeiros líderes de facção estão nos bairros nobres”. Respondo: Não procede, os líderes estão sim nas comunidades, sempre próximos aos braços operacionais. Claro que alguns tentáculos se estendem por áreas nobres, principalmente pela necessidade de lavagem de capitais auferidos com os crimes.
“Dá para acabar com as facções sem disparar um tiro sequer, só asfixiando o fluxo financeiro delas.” Respondo: descapitalizar as organizações criminosas de fato é uma das medidas mais importantes no combate, mas as ações de “infantaria”, de retomada de território, além daquelas de cunho social, precisam andar juntas. É a velha máxima do “não tem como fazer omelete sem quebrar ovos”.
“Alguns dos criminosos mortos pela polícia não possuíam passagens pela justiça e por isso eram inocentes”. Resposta: apesar de incomum, há criminosos contumazes que nunca foram presos ou processados. São exceções, e isso não necessariamente aponta sua inocência, nem tampouco isenção em relação às facções.
“Classificar as facções brasileiras como terroristas autorizaria intervenções estrangeiras no nosso território, além de afastar investidores.” Resposta: isso não é verdade, a soberania permaneceria intacta. Só teríamos benefícios, uma vez que a troca de informações e recursos internacionais seria facilitada e desburocratizada. Quanto a espantar investidores, lamento lhe informar que já somos vistos como um narcoestado lá fora, maior exportador de drogas do mundo. Primário achar que podemos piorar nossa imagem ao buscar essa alternativa plausível e definitiva.
“Os traficantes são fruto da falta de oportunidade e da necessidade; além disso, deveriam ser presos e ressocializados em vez de mortos.” Resposta: o estudioso Pery Shikida entrevistou milhares de criminosos por décadas e chegou à conclusão de que a esmagadora maioria se torna criminosa por livre escolha, movida pela ganância mesmo. Quanto a prender faccionados que portam fuzis e ressocializados, importa salientar que não é qualquer um que ascende a esse nível. Para tal, ele foi testado na prática dos crimes mais cruéis, sem questionar ordens, ou seja, aquele que coloca a mão no fuzil, os chamados “faixas pretas”, dificilmente se entrega sem lutar e não está propenso à ressocialização – salvo raras exceções.





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Parabéns meu irmão, não só pelo trabalho operacional e informativo, como também pelo exemplo de ser humano que tem se tornado a cada dia