Ayann Hirsi Ali é uma ativista e escritora que fugiu do seu país de origem, a Somália, a fim de evitar casamento arranjado com um completo estranho. Ainda aos cinco anos de idade, Ali sofreu mutilação genital feminina, além de todas as outras violências às quais as mulheres são submetidas em vários países da África e Oriente Médio.
Na Holanda, país onde Ali buscou refúgio, surpreendeu-se por não poder repudiar ou falar mal do regime islâmico brutal do seu país de origem, sem que recebesse pesadas represálias por parte dos simpatizantes da esquerda identitária. Por óbvio, tais militantes arrogantes e mimados não fazem a menor ideia do que Ali passou sob o jugo de um regime fundamentalista islâmico.
Essa é apenas uma das milhares de histórias inacreditáveis que o nosso mundo moderno e progressista nos proporciona. Vivemos em uma ditadura da “Justiça Social Crítica”, responsável por eleger quais grupos “minoritários” merecem consideração e defesa intransigente. Sinalizar virtudes aliando-se a grupos ditos oprimidos, não importando qual o real pano de fundo desses tais grupos vitimizados, parece confortar esses alienados detentores do monopólio da virtude.
Rebelar-se contra um sistema opressor, imperialista, colonialista, não são mais devaneios quase que restritos a adolescentes, antes de conhecerem a dureza da vida adulta e responsável. Normalizamos a imagem de velhos de barba branca mentalmente afetados, porém, com o carimbo de intelectuais, defendendo grupos terroristas que cozinharam bebês israelenses em micro-ondas; relativizando a atuação de criminosos faccionados que decapitam seus inimigos; ou levantando a bandeira de regimes como o dos aiatolás no Irã, que obrigam crianças de 12, 13 anos a se casarem com velhos de 70, além de financiarem toda a escória terrorista do Oriente Médio.
Tudo em prol da tal agenda identitária. Negar a verdade é esporte predileto dessa militância arrogante, além de passarem bem longe das áreas de atuação dos seus criminosos de estimação, afinal de contas, podem ser teimosos e desonestos intelectuais, mas não são loucos que queimam notas de cem reais.
Às vezes me pego concordando com a adoção do Wei Wu, conceito oriundo do taoismo que prega a ação pela inação, ou seja, buscar o controle de uma situação ao não controlá-la. Explicando melhor: seria deixar o circo pegar fogo, amigo, virar as costas para toda essa nojeira, fazer apenas o “feijão com arroz”, mesmo sabendo que tal atitude nos conduzirá para uma espécie de mundo pós-apocalíptico.
Facções reinando em um narcoestado; baderna e desordem de toda a sorte; serviço público inchado, perdulário e corrupto; destruição da família e tudo o que ela representa; proibição da prática religiosa cristã; e por aí vai. Sem o menor esforço para detê-los, um belo dia o jogo irá virar, certamente clamarão pelo retorno da ordem, da disciplina, do rigor necessário à manutenção do contrato social. Simples assim.



