A três dias do primeiro turno, a guerra subterrânea entre ministros do STF e a cúpula do TSE ganhou um capítulo explícito de tensão. O ministro Nunes Marques só formalizou a recondução de Cristiano Zanin ao cargo de ministro substituto da Corte Eleitoral nesta quinta-feira, 1º, após receber uma cobrança formal enviada diretamente pelo gabinete do magistrado.
Zanin havia sido eleito pelo plenário do Supremo ainda em 3 de setembro, mas a vaga permaneceu oficialmente em aberto no sistema do TSE por semanas. A demora gerou forte irritação entre colegas do STF, que consideram a formalização um ato automático. O pano de fundo da disputa envolve uma ação movida pelo Solidariedade para afastar Kassio e André Mendonça da análise das propagandas eleitorais. Caso o pedido prospere, a função cairia nas mãos de Gilmar Mendes e Zanin, o que exigiria a posse imediata do ex-advogado de Lula.
O tribunal eleitoral justificou o atraso alegando uma fila burocrática de posses, versão rebatida nos bastidores por magistrados do STF. Enquanto a ação do Solidariedade segue pendente, a movimentação escancara o cálculo de poder na reta final da eleição: a três dias da votação, até uma posse formal virou instrumento de disputa entre as cortes.
📰 Fonte: O Globo (blog da Bela Megale)


