A mais antiga das reclamações que se tem notícia foi revelada por arqueólogos na Mesopotâmia (o Irã dos dias atuais). Na antiga cidade de Ur, os pesquisadores encontraram uma pequena tábua de argila de 4.000 anos, com aproximadamente 11 centímetros, onde um tal Nanni demonstra insatisfação pela baixa qualidade do bronze adquirido junto ao vendedor Ea-Nasir.
O ato de reclamar apresenta inúmeras faces, muitas delas intimamente ligadas à reivindicação de direitos nas relações de consumo, como no caso do nosso cliente insatisfeito e do caloteiro 4 mil anos atrás.
Na verdade, não é sobre esse exemplo de assertividade nas relações sociais que pretendo discorrer nessas poucas linhas, e sim no que os tibetanos chamam de heresia da separatividade, ou reclamação por egoísmo.
Trata-se dos chorões modernos, aqueles que não conseguem ou não querem pensar além do próprio umbigo. São incapazes de manifestar empatia e entregas espontâneas. Vivemos em uma ditadura do ofendido consubstanciada pela banalização do status de vítima. Os que se encaixam no perfil “vítimas de verdade” estão cada vez mais diluídos em meio a uma massa daqueles que desejam um carimbo de oprimido.
São reclamadores compulsivos que ganham voz sequestrando pautas que por vezes soam justas e necessárias. Pasmem, mas ser um jovem autogerenciável, resiliente, autoconsciente quanto às suas
capacidades pessoais podem, na verdade, render um cancelamento seguido de ostracismo.
O legal e popular é a lógica derrotista, é reclamar do capitalismo, dos empresários, do agronegócio, do
governo, da classe média, da polícia, de qualquer coisa que lhe confira um perfil rebelde e revolucionário, mesmo sem conhecer a fundo os impactos do que reivindica. Muitos têm ótima vida econômica e não integram qualquer grupo minoritário.
Pertencer a alguma “tribo rebelde”, reclamadora contumaz, é o que importa. O relativismo moral e a hipocrisia são características comuns a esses indivíduos que atacam ferozmente os que ousem contrariá-los. Mimados que são, reforçam propositalmente padrões negativos que os conduzem a interpretar a realidade de forma cada vez mais pessimista.
Outra categoria de reclamões desprezíveis é o profissional ruim de serviço, o famoso morcego resmungador. Além do impacto direto na execução da atividade, os reflexos negativos atingem a todos que convivem com ele, gerando ansiedade, estresse e até depressão. O mais curioso em relação ao reclamador profissional diz respeito a estudos comprovando que a energia gasta por ele para reclamar e se esquivar dos afazeres pode ser até maior do que a necessária para a boa execução da tarefa, ou seja, fazer seria menos doloroso e desgastante.
Caro leitor, se nunca teve o desprazer de ouvir da boca de um reclamador o dito popular “quem não chora não mama”, saiba que você tem pelo menos umas 2 horas de vida a mais do que esse que vos escreve, afinal de contas, dizem que o ódio reduz sobremaneira a vida do indivíduo nesse plano terrestre.
Por Everton Moraes Concha.

Colunista Ten. Moraes – @moraespontaum
👮🏼♀️Tenente da PMES
🗣️Palestrante
👮🏼♀️Especialista em PAAR e Organizações Criminosas do ES.
🗣️Colunista/ Site PONTA DE LANÇA



