Sabe qual é uma das únicas coisas que é comum às duas maiores facções do Brasil? O lema: “Paz, Justiça e Liberdade!”. Embora sejam inimigos mortais, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) ostentam esse mesmo lema. E sabe qual é um dos motivos? A conotação de “oprimidos do sistema” que essas lindas palavras lhe conferem, sendo recepcionados pela parte débil e alienada da sociedade como os resistentes massacrados por uma lógica capitalista e cruel. Sociedade hipócrita que isenta moralmente o criminoso da conduta ilícita, dissolvendo sua culpa em frases prontas como: “vítimas da sociedade”, “criminoso por necessidade”, etc.; ignorando completamente a superficialidade que tais termos carregam. O que esperar de um país onde reagir a uma simples abordagem policial ou mesmo a prisão de um criminoso é quase regra? Onde afrontar as forças de segurança rende um bom vídeo viral e até palmas de alguns idiotas úteis.
O criminoso sabe que pode contar com esse escudo poderoso, sem o qual seria imediatamente neutralizado pelas nossas polícias Brasil afora.
A barreira ideológica posicionada entre o controle eficiente da criminalidade e a tão almejada manutenção da ordem pública responde pelos apelidos de “fiel”, “mora mora”, “fechamento”, “anteninha”, a depender da região do país. Os “fiéis” estão presentes não só nas comunidades, mas também no judiciário, na política, entre os intelectualóides que se auto-intitulam promotores da justiça social. Aqueles mesmos que não permitem sequer um morador de rua na sua porta, prontamente acionando o 190, mas se opõem ferozmente ao enfrentamento do crime organizado, faccionado e sanguinário.
Estamos falando de uma militância policiofóbica que ataca as agências de controle social, em especial as polícias, a fim de percorrer o caminho mais curto para descredibilizar o Estado.
E tudo isso, pasmem, como base de argumento para um inchaço desmedido da máquina estatal em todas as outras áreas, uma vez que, de fato, o problema da violência é multifacetário, e envolve perifericamente a saúde, a educação, oferta de oportunidades, etc.
São cortinas de fumaça complementadas pelo belo discurso em defesa dos direitos humanos, aproveitando uma ideologia classista do “nós x eles”, culturalmente enraizada no país. Tudo isso com o objetivo real de acomodar em um Estado gigante, perdulário e ineficiente, todos os “amigos do rei”, um bando de pelegos sanguessugas.
No dia 07/08/25, veio a público mais um triste exemplo dessa covarde inversão de valores: um policial militar quase perdeu a vida ao literalmente se atracar com um criminoso na favela de Paraisópolis, São Paulo. O assaltante armado realizava um arrastão na rodovia quando foi alcançado pelo agente em uma das ruas da comunidade. Durante a tentativa de algemação, o bravo policial foi cercado por uma horda de “fiéis” que, aos gritos de “é morador”, ofereceu, como sempre, pressão psicológica suficiente para que o marginal direcionasse o revólver que portava para a cabeça do militar e disparasse, fugindo logo em seguida. Um comparsa ainda subtraiu a arma do policial ferido que permaneceu sozinho, sangrando, sob os olhares de uma assistência que comemorava a vitória de um genuíno representante da banda podre da sociedade. Aquelas imagens fortes são parte dos sintomas de uma coletividade extremamente doente, colapsada do ponto de vista dos princípios básicos que norteiam um país realmente civilizado.
Esses militantes descerebrados, eternos manifestantes juvenis, ignoram solenemente que, segundo estudos da Organização dos Estados Americanos (OEA) 80% das vítimas de crimes violentos são justamente os pobres, indicando claramente quem mais precisa do socorro e assistência policial. No outro extremo, pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 75% dos policiais se sentem discriminados por serem agentes do sistema de segurança pública no Brasil, sendo que 44% chegam a esconder o seu fardamento. Ou seja, graças aos nossos “fiéis” cabeças ocas, o desestímulo ao bom policial, a nossa última barreira antes da barbárie completa, cresce junto com os números da violência contra a parte menos favorecida: o pobre periférico.
Por Everton Moraes Concha.

Colunista Ten. Moraes – @moraespontaum
Everton Moraes
👮🏼♀️Tenente da PMES / Complexo da Penha
🗣️Palestrante
👮🏼♀️Especialista em PAAR e Organizações Criminosas do ES.



