Por Canal “A Voz da Política”.
O ministro Moraes inocentou ontem, pela primeira vez, um dos réus da fantasiosa trama golpista: o militar Estevam Teófilo, pertencente ao núcleo 3 do julgamento. Isso pode ser entendido como um recuo do ministro Moraes? Bom, sabemos que não. Mas qual é a estratégia do ministro? Por que ele inocentou apenas Estevam?
Dos 10 réus que estavam sendo julgados ontem nesse núcleo 3, 9 foram condenados. Apenas o militar Estevam Teófilo foi inocentado. Se de 10 ele condena 9 e até agora condenou todos os demais, me parece bastante óbvio que o ministro não recuou. Ninguém recua dessa maneira, certo? Atropela 9, poupa 1 e diz que é uma pessoa muito humana. Não dá para acreditar nisso.
No entanto, há uma estratégia que precisamos perceber por trás desse voto do Moraes. Inclusive, é curioso que ele tenha usado um argumento que, se aplicasse aos demais réus, resultaria na inocentação de todos. O ministro afirmou que não dava para condenar Estevam Teófilo porque as provas contra ele estavam baseadas única e exclusivamente na delação de Mauro Cídi. Se a delação de Mauro Cídi é a razão para inocentá-lo, então ele deveria inocentar todos os outros também, não?
Ora, Felipe Martins também não está preso com base na delação de Mauro Cídi? No entanto, para os outros réus, a delação foi central, tanto que Mauro Cid foi preservado a todo custo por Gonê e Moraes. É curioso, porque o argumento que Moraes usou para inocentar Estevam Teófilo, se fosse levado a sério, deveria inocentar todos os demais réus até agora julgados por ele.
Quer dizer, a delação de Mauro Cid ser a única versão dos fatos é relevante para condenar todo mundo, mas não para inocentar Estevam. E por que ele quis inocentar esse? Eu já disse, inclusive há algum tempo, que o ministro Moraes quer condenar todo mundo. Ele deseja, com esse julgamento, esgotar a possibilidade de desidratar o Bolsonaro e todo o bolsonarismo, o núcleo duro bolsonarista. Ele quer criar um símbolo para extirpar o bolsonarismo do tabuleiro político e, inclusive, prender Bolsonaro para tirar uma foto e ter um troféu do ex-presidente atrás das grades, como as pessoas fazem quando pescam um peixe grande.
É disso que se trata, é isso que ele quer. Esse símbolo para extirpar o bolsonarismo é a intenção desse julgamento. Por isso, ele precisaria condenar Bolsonaro, o bolsonarismo e o núcleo duro que estava em torno dele. No entanto, quando os núcleos vão se afastando, eu já disse que era possível que Moraes fizesse algum gesto, não condenasse todo mundo, para não deixar evidente sua intenção política e não escancarar que não se trata de um julgamento jurídico e técnico.
O argumento válido para Estevam Teófilo, como mencionei, valeria para qualquer um dos demais réus até agora condenados. Portanto, a intenção do ministro Moraes foi única e exclusivamente oferecer um “biscoito”, um “petisco”, apenas para que digam: “Olha só, ele não é tão mal assim”. Se ele inocentou, então não dá para dizer que é um julgamento político. Quando os núcleos vão se afastando de Bolsonaro e do bolsonarismo, Moraes relaxa e pode inocentar um ou outro para que as pessoas digam que ele é um juiz justo. Mas isso não cola, obviamente.
E aí, meus amigos, vocês concordam com a minha análise? Ainda existe um pingo de humanidade em Moraes ou foi puramente uma estratégia para dizer que não é uma perseguição política esse julgamento? Deixem suas opiniões nos comentários.




2 Comments
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O moraes e o mais perveso fascinora, prendendo a revelia velhos ,senhoras idosas indiscriminadamente , rasgou nossa constituicao e pratica sua propria lei como um fascinora , merece apodrecer na cadeia
Isto está cheirando a compra da liberdade.