A recusa de agrément ao indicado de Donald Trump gera retaliação inédita em Washington, enquanto Itamaraty rebaixa oficialmente a representação diplomática em Buenos Aires.
Por Redação | Ponta de Lança News Editoria: Política Internacional
Em um intervalo de menos de 24 horas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desencadeou duas graves crises diplomáticas envolvendo os dois principais parceiros políticos e comerciais do Brasil no continente: Estados Unidos e Argentina. Os episódios simultâneos evidenciam um rápido grau de deterioração das relações exteriores do país em um momento de profundas transformações geopolíticas globais.
Tensão histórica com Washington.
Com os Estados Unidos, a escalada atingiu um nível considerado inédito na diplomacia moderna. O governo brasileiro decidiu não conceder o agrément a praxe diplomática que formaliza a aprovação de um chefe de missão ao nome indicado pelo presidente americano Donald Trump para assumir a embaixada dos EUA em Brasília.
A resposta da Casa Branca foi imediata e severa. O governo americano revogou o visto da atual embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Segundo fontes diplomáticas americanas, a medida foi classificada estritamente como um ato de reciprocidade, com o aviso de que a cassação do visto poderá ser revertida caso o governo brasileiro recue e conceda o agrément ao indicado de Trump.
Embora Brasil e Estados Unidos mantenham relações diplomáticas estáveis há mais de dois séculos, episódios dessa natureza são extremamente raros. A revogação do visto da principal representante do Estado brasileiro em território americano demarca, de forma incontestável, um dos momentos de maior tensão entre as duas nações em décadas.
Ruptura política com Buenos Aires.
Quase simultaneamente ao embate no Hemisfério Norte, a relação do Brasil com a Argentina sofreu um novo e profundo desgaste. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) retirou definitivamente o embaixador Julio Bitelli de Buenos Aires.
Com a manobra, a representação diplomática brasileira na capital argentina foi formalmente rebaixada ao nível de encarregado de negócios. Na prática, a interlocução política direta entre os dois governos sofreu um corte drástico, ainda que os canais consulares e comerciais permaneçam em funcionamento para não penalizar cidadãos e empresas de ambos os lados da fronteira.
Análise: O xadrez geopolítico e o declínio da influência regional.
O acúmulo de confrontos diplomáticos com as capitais de peso das Américas em menos de um dia levanta questionamentos sobre a atual condução da política externa brasileira.
A figura de Lula, reconhecida historicamente como a principal liderança (“cabeça da serpente”) do Foro de São Paulo, fórum criado em 1990 por ele e Fidel Castro com o objetivo de articular a esquerda revolucionária latino-americana, enfrenta hoje uma nova realidade continental. O crescente desgaste internacional, agravado por estas tensões diplomáticas e pelas pressões internas no Brasil, tende a enfraquecer severamente sua capacidade de liderança e de influência na região.
Geopoliticamente, o cenário aponta para uma reconfiguração de forças. Uma autodenominada “onda azul” já começou a desmontar a hegemonia mantida por anos pela esquerda radical na América Latina. O recente isolamento diplomático do Brasil sugere que o projeto político outrora capitaneado por Lula e por regimes ditatoriais aliados na região encontra-se, neste momento, sob forte cerco e ataque no cenário internacional.


