Por: https://resumosbrasil.com/
A disputa começou com publicações que associavam Flávio Bolsonaro a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A história remetia a um projeto apresentado em 2007 por Victório Galli, aliado de Jair Bolsonaro, mas arquivado no ano seguinte. Flávio negou qualquer plano e chamou o episódio de “a maior notícia falsa da campanha”.
Lula, porém, transformou o tema em mensagem de palanque. Em comício em Belém, declarou: “Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”. Também defendeu o respeito a todas as religiões e encerrou o evento erguendo uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré.
O ponto vulnerável do presidente apareceu quando ele admitiu não saber se a alegação era falsa. “Eu não sei se foi fake news, o dado concreto é que isso está na rede social, muito forte”, afirmou em entrevista.3 Críticos agarraram-se à frase: Rodrigo Constantino reagiu com um ataque pessoal ao presidente, reproduzindo justamente o trecho em que uma jornalista o alertava sobre a desinformação.
A reação não ficou na cobrança por provas. O debate rapidamente ganhou acusações invertidas. Allan dos Santos compartilhou a afirmação de que “Lula retira do site do governo consagração à Nossa Senhora”, sem apresentar contexto adicional na publicação. Constantino, por sua vez, perguntou se Lula pretendia “trocar a padroeira do Brasil”.
Há, portanto, uma diferença central entre os dois campos e uma semelhança incômoda. O governo usa a imagem da santa para se apresentar como defensor da liberdade religiosa; adversários apontam oportunismo e devolvem suspeitas contra Lula. Ao mesmo tempo, ambos disputam votos, amplificando alegações que circulam nas redes. No palanque, Lula ainda elevou o tom ao chamar a Lagoinha de “igreja mentirosa”, personalizando o confronto com o pastor André Valadão.


