Robôs humanoides correram a 4 m/s, empunharam nunchakus e executaram kung fu ao vivo na China para mais de um bilhão de pessoas.
Na véspera do Ano-Novo Lunar de 2026, o Chunwan, o Spring Festival Gala transmitido pelo China Media Group, colocou dezenas de humanoides da Unitree Robotics no centro do espetáculo nacional.
Não como figurantes. Como protagonistas de um número de artes marciais chamado “武BOT”.
A apresentação durou 4 minutos e 33 segundos. Pouco tempo para improviso e muito tempo para erros.
Pelo menos 24 unidades do modelo G1 da Unitree, acompanhadas por um H2 full-size, executaram coreografia sincronizada com artistas humanos, incluindo crianças de escola de wushu, em um palco previamente modelado em 3D com 600 m².
Os modelos G1, com 127 cm, 35 kg e 23 graus de liberdade, demonstraram controle corporal total, recuperação de perturbação em tempo real e coordenação multi robô sem teleoperação humana. Um dos robôs tropeçou durante a coreografia e conseguiu se recuperar automaticamente, evidenciando algoritmos avançados de controle e aprendizado por reforço.
O evento também marcou a revelação do modelo H2, com 180 cm, 31 graus de liberdade e design mais humanizado, apresentado como o Rei Macaco, um dos maiores símbolos da cultura chinesa.
Com preços que partem de cerca de 16 mil dólares no G1 e estratégia agressiva de escala e IPO previsto para 2026, a Unitree não está apenas performando. Está disputando o futuro da força de trabalho global, da manufatura à assistência a idosos.
Geopoliticamente, a mensagem é clara.
Robótica humanoide aparece como prioridade em políticas industriais associadas ao Made in China 2025 e aos planos quinquenais recentes.
Enquanto o Ocidente debate demos em vídeos altamente controlados, a China colocou swarm de humanoides no prime time cultural doméstico e internacional.



