A Polícia Federal desarticulou nesta quarta-feira uma sofisticada organização criminosa acusada de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de lavagem de dinheiro, criptoativos e estruturas montadas no mundo do entretenimento. Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação cumpriu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal, mobilizando mais de 200 agentes.
Entre os presos estão os cantores de funk MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, apontados pela PF como figuras centrais do esquema. MC Ryan SP foi detido durante uma festa no litoral paulista (Bertioga), enquanto Poze do Rodo foi preso em sua residência no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Também foi preso o influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página de fofocas Choquei, descrito como “operador de mídia” do grupo, além do empresário e influenciador Chrys Dias.
De acordo com as investigações, o dinheiro teria origem em atividades criminosas como o tráfico internacional de drogas, incluindo o envio de toneladas de cocaína ao exterior e apostas ilegais. O grupo usava empresas de fachada, produtoras musicais, shows, rifas digitais e transações com criptomoedas para “esquentar” os recursos e dar aparência de legitimidade. A operação é um desdobramento de ações anteriores, como a Narco Bet e Narco Vela, que já miravam a exportação de entorpecentes e a lavagem de capitais.
Artistas petistas no centro do esquema.
O caso ganha contornos políticos ao revelar que tanto MC Ryan SP quanto MC Poze do Rodo foram apoiadores explícitos de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. Poze chegou a declarar em show: “eu sou Lula” e puxar coro em favor do petista. Ryan, por sua vez, usou suas redes sociais e palcos para fazer campanha aberta ao candidato do PT, inclusive com o gesto do “L” e conteúdos alinhados à esquerda.
Para muitos conservadores, a prisão dos dois artistas expõe o que há tempos se denuncia: a proximidade de parte do mundo do funk e do entretenimento com estruturas criminosas e o alinhamento ideológico com governos de esquerda que, na visão de críticos, adotam posturas lenientes com o crime organizado e o narcotráfico.
A PF destaca que a visibilidade dos artistas servia para projetar uma imagem de sucesso legítimo, ajudando a dissimular a origem ilícita dos recursos. MC Ryan SP seria o principal beneficiário econômico da estrutura, com sua base de milhões de seguidores usada para encobrir alertas de fiscalização.
Durante as buscas, foram apreendidos veículos de luxo, armas de fogo, dinheiro em espécie, joias e equipamentos eletrônicos. As contas bancárias dos investigados foram bloqueadas, e bens foram sequestrados. Os envolvidos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
As defesas dos artistas têm se manifestado de forma inicial, argumentando que os valores têm origem em atividades lícitas e que os tributos foram recolhidos. A investigação, contudo, segue em andamento para mapear toda a rede financeira e identificar outros possíveis beneficiários.
A Operação Narco Fluxo reforça o papel da Polícia Federal no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro que alimenta o tráfico de drogas no Brasil, um dos principais flagelos que assolam o país há décadas, especialmente em regiões dominadas por facções.


