O ano de 2026 traz consigo uma carga de dramaticidade por conta das eleições em outubro. Calma, explico o tom apocalíptico: os cargos de Presidente; deputados estadual e federal; senadores e Governadores; estarão em disputa justamente no ápice dos debates acerca dos destinos da segurança pública da Nação. Nas últimas pesquisas de opinião, no final de 2025, o tema segurança pública só ficou atrás da saúde, superando educação, economia, corrupção, entre outros que tradicionalmente estariam à frente.
Atualmente, as notícias policiais narrando a jornada sanguinária das facções em solo brasileiro são debatidas nos botecos, nas empresas, nas reuniões familiares, com menor ou maior profundidade, mas se tornaram um assunto comum a todos. Votar em candidatos que se posicionem contra temas tão caros à nossa sobrevivência enquanto sociedade civilizada e livre é compactuar com o processo acelerado de desertificação legal e moral que aflige esse país.
Nas próximas linhas, abordo a negativa quanto ao reconhecimento por parte do governo federal da facção criminosa Comando Vermelho e do Cartel PCC como grupos terroristas.
Sim, eu sei que a atual lei antiterrorismo brasileira não permite essa chancela imediata, seria necessária uma alteração na sua redação. Mas, o que pretendo problematizar é a cruzada vigorosa contra essa possibilidade, fazendo uso do argumento fajuto e populista da perda da soberania. Ora, é óbvio que não podemos usar as ações militares dos EUA contra Venezuela e Irã, por exemplo, ambas ditaduras, sendo que a segunda uma teocracia nuclear, como balizador de algo que poderia acontecer no Brasil.
Os benefícios do reconhecimento seriam consideráveis e certamente alçariam a guerra contra os facínoras do CV e do PCC a um outro patamar. Dentre os principais, destacamos: leis mais duras e a ampliação de instrumentos jurídicos; mais cooperação internacional com o congelamento de ativos no exterior, extradições mais rápidas, investigações conjuntas sobre tráfico internacional; bloqueio financeiro mais agressivo; permitir maior mobilização de forças federais; pressão internacional contra redes criminosas; efeito simbólico e político com a deslegitimação dessas organizações no cenário internacional.
Agora vamos para o outro lado, expor os reais motivos que alicerçam a luta do governo federal contra algo que seria o óbvio, que nos posicionaria ao lado das grandes nações desse planeta: abrindo essa possibilidade, o governo correria o risco de criminalizar movimentos como o MST, uma vez que a legislação passaria a focar no resultado e não nas motivações; com essa postura resistente, priorizam a manutenção da defesa de grupos terroristas como o Hamas, ao evitarem medidas que feririam a lógica nefasta da equiparação do lumpenproletariado (criminosos, vadios, etc.), incluindo os nossos faccionados, a revolucionários oprimidos pelo sistema e em busca da redenção; buscam reforçar uma ideologia política neurótica, alucinada, juvenil, fundada nas bandeiras populistas do anti-imperialismo e entreguismo; usaram, dentre os argumentos oficiais, a seguinte afirmação: “A possibilidade de agravar a crise prisional com represália das facções”, o que denota uma clara rendição, por escrito, ao crime organizado, confirmando o total desinteresse em mudar esse cenário. Escolha bem o seu voto, para que as suas mãos não estejam sujas de sangue no futuro próximo.


