Recentemente, escrevi um artigo acerca da polêmica sobre a possível redução da maioridade penal (publicado em 08/05/26 aqui no site Ponta de Lança News). Vejo-me forçado a retornar ao assunto após a divulgação de pesquisa realizada pelo Datafolha, no último dia 03/07/26, abordando não apenas a questão da maioridade, mas também o uso de drogas. Então, vamos aos resultados.
Os números mostram que o percentual de brasileiros que defendem a punição de adolescentes infratores como adultos subiu para 70%, sendo que a mesma pesquisa, em 2022, apontava uma aprovação de 65%. Já o apoio à reeducação recuou de 34% (2022) para 27% (2026). Quando o tema abordado é a liberação ou não do uso de drogas, a reprovação apresentou índices ainda mais expressivos. Um total de 85% concordou com a seguinte afirmação: “O uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre com as consequências”. Na pesquisa anterior, também realizada em 2022, a rejeição a uma possível liberação atingiu a marca de 83%.
A vontade popular, manifestada por intermédio de números tão expressivos sobre dois assuntos comuns a todos, deve ser levada em consideração. Nenhum trabalho acadêmico, pesquisa científica ou opinião diplomada terá força suficiente para contestar o real sentimento do cidadão acerca da sua própria segurança. Desde que ingressei na polícia, ouço a máxima: “Quem conhece de segurança é o cidadão”. Trata-se de uma verdade incontestável, porém constantemente ignorada e vilipendiada por convicções ideológicas de uma minoria que dá as cartas neste país.
A tal democracia, modelo defendido por todos os espectros políticos que habitam nossas câmaras e plenários, muitas vezes não se traduz em resultados práticos e efetivos que sejam percebidos pela massa populacional aflita. Advogar em causa própria, mirando a manutenção do próprio poder, parece ser um requisito “democrático”, característica presente em grande parte dos políticos eleitos.
Lembra-se daquele aparelho chamado “neuralizador”, utilizado pelos personagens do filme MIB – Homens de Preto para apagar a memória das pessoas que se deparavam com alienígenas? Pois é. Ele me inspirou a cunhar o termo “populismo neuralizador”, que ilustra bem o looping eterno que observamos na política nacional.
O candidato é eleito após promessas firmes de aderência ao clamor social, como a redução da maioridade penal e a proibição do uso de drogas, por exemplo. Ao assumir o cargo, vota em sentido contrário ao que prometeu, em razão de conchavos e alinhamentos partidários.
Quando chega a próxima campanha, utiliza-se o “neuralizador”, apagando a memória recente de boa parte da população, que, por sua vez, volta a enxergá-lo como o paladino da moral e dos bons costumes. Tudo isso sob os aplausos de uma sociedade formada, em grande medida, por cidadãos apegados ao imediatismo e suscetíveis a promessas impossíveis.


