Nunca paramos de nos surpreender. Impressionante. Agora, no início do mês de maio, deparo-me com a notícia de um projeto de lei apresentado pela Deputada Federal Ana Paula Lima (PT de SC), propondo a proibição da manifestação em redes sociais por parte de policiais de todas as instituições. Pelo texto, as corporações terão um prazo de 180 dias para regulamentar internamente a conduta dos seus integrantes nas redes.
Com esse projeto, a nobre parlamentar defende, segundo ela, uma neutralidade institucional, principalmente em períodos eleitorais. A tal neutralidade estaria alinhada com alguns princípios que regem a administração pública, tais como a impessoalidade e a moralidade pública. Obviamente, a matéria deverá sofrer forte oposição, uma vez que ainda precisará passar pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados antes de ir a plenário.
O primeiro ponto que trago a fim de contrapor essa proposta absurda é: por que só os policiais? Professores, integrantes de outras carreiras públicas, como Correios e magistratura, formam verdadeiros exércitos mobilizados em prol de “causas” político-partidárias, e não só digitalmente. Utilizam os seus postos de trabalho como engrenagem eficiente na ardilosa cooptação de mentes. Militar pela perpetuação de uma determinada ideologia, criando narrativas sabidamente falsas e desonestas, intelectualmente falando, está implicitamente gravado no rol de atribuições de determinadas carreiras. Mas, como estão alinhadas e cobertas pelo espectro político vigente, tornam-se “invisíveis” aos olhos da indignação hipócrita e seletiva da nobre deputada.
Na verdade, ao que parece, a estratégia é silenciar as vozes que clamam por uma ação contundente e pragmática por parte do Estado, algo que sabemos não constar no repertório de prioridades de quem detém o bastão do poder atualmente. Convenhamos, era muito mais fácil exercer esse controle quando os veículos de comunicação se resumiam a algumas redes de TV devidamente domesticadas. Com a explosão da comunicação instantânea, aberta, gratuita e na palma da mão, a voz de uma autoridade no assunto ecoando nas caixolas de habitantes de todos os cantos da nação, provocando reflexões outrora impossíveis, não é um bom negócio para os tecnocratas.
Importante salientar que a nobre deputada foca exclusivamente nos policiais, e não em “outros especialistas”. Ou seja, estão totalmente isentos aqueles que, escudados pelo “papel”, pelo poder conferido por um diploma de mestre ou doutor em segurança pública, mas desprovidos da autoridade de quem conhece por dentro, podem continuar realizando projeções amparadas única e exclusivamente em gráficos, estatísticas, métodos e técnicas aprendidos em bancos escolares, sempre bem longe do calor do combate.


