Em atuação coordenada que desafia as regras eleitorais e a transparência das Big Techs, perfis anônimos com público irrelevante gastaram fortunas para pulverizar ataques a lideranças da direita.
Uma robusta e milionária estrutura de desinformação e ataques direcionados foi montada nas redes sociais para alvejar duas das principais lideranças da oposição e da direita brasileira: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo levantamento jornalístico publicado originalmente pelo jornal O Globo, uma rede coordenada de “páginas fantasmas” no Facebook e no Instagram de forte viés pró-Lula movimentou mais de R$ 1 milhão em anúncios políticos patrocinados.
O caso escancara o uso de táticas obscuras de financiamento para burlar algoritmos de moderação e tentar influenciar artificialmente o debate político. A estratégia adotada consistiu em criar páginas de fachada, sem rostos ou responsáveis legais claramente identificados, com audiências insignificantes na modalidade orgânica (todas possuíam menos de 400 seguidores), mas turbinadas por aportes financeiros massivos que injetavam os ataques diretamente na linha do tempo de milhões de usuários.
As engrenagens da rede anônima
O monitoramento da biblioteca de anúncios da Meta identificou sete páginas principais operando nesse esquema coordenado:
- Radar do Planalto
- Dossier Brasil 24h
- O Contra-Fluxo
- Panorama Brasil
- Olho no Erro
- Contra a Maré
- Lente Escura
De acordo com as informações apuradas, essas páginas adotaram um comportamento técnico idêntico, o que reforça a tese de que pertencem a uma mesma central de difamação. Em vez de concentrar os recursos em poucas publicações de alto valor, o que dispararia os alertas de segurança das plataformas e facilitaria uma remoção em massa, os operadores pulverizaram o dinheiro em centenas de anúncios de pequenos valores.
Dados oficiais da Meta mostram que o pico das atividades ocorreu em períodos estratégicos. Apenas um bloco dessas páginas gastou R$ 247 mil em um curto intervalo em junho. Entre os dias 17 e 23 de junho, o volume financeiro injetado por essa rede anônima superou os gastos de quase todos os anunciantes políticos do país, ficando atrás apenas da máquina oficial do próprio governo federal.
Táticas de Ocultação: A investigação aponta que os domínios desses perfis foram criados de forma sequencial na plataforma de hospedagem Hostinger, utilizando sites camuflados em espanhol e telefones de contato com o código de área DDD 41 (Paraná), indicando uma operação profissional para dificultar o rastreamento dos verdadeiros financiadores.
O alvo é o momento político.
O conteúdo dos anúncios pagos focava em ataques pessoais de forte teor agressivo. Um dos vídeos impulsionados trazia a legenda “O mais b@ndido dos Bolsonaros” para tentar ressuscitar narrativas desgastadas contra o senador Flávio Bolsonaro.
Para analistas de bastidores, a ofensiva coordenada não é uma coincidência temporal. Os impulsionamentos milionários ganharam tração no exato momento em que pesquisas internas começaram a apontar um forte crescimento de Flávio Bolsonaro e uma aproximação numérica em relação ao presidente Lula em cenários de intenção de voto, além da consolidação de Tarcísio de Freitas como o principal pilar de gestão e liderança conservadora no maior estado do país.
A investida levanta sérios questionamentos sobre a origem desse dinheiro “fantasma” que irriga as redes sociais para beneficiar a narrativa governista. Enquanto a oposição enfrenta constantes vigilâncias judiciais e narrativas sobre “milícias digitais”, a existência de uma estrutura milionária, anônima e operada à esquerda surge como um desafio incômodo que as autoridades competentes e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisarão apurar para garantir o equilíbrio e a lisura do pleito eleitoral em 2026.


