Depoimento aponta suposto esquema financeiro para forjar denúncia de estupro contra o atual candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Caso que nasceu na CPMI do INSS chega ao STF, e pode gerar inelegibilidade.
O cenário político nacional foi abalado nesta semana por revelações que transformam uma grave denúncia criminal em um possível escândalo de armação política. O caso envolve o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) recentemente anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026, e os parlamentares Lindbergh Farias (PT) e Soraya Thronicke (Podemos).
O imbróglio teve início no dia 27 de março de 2026, durante a última sessão da CPMI do INSS. Na ocasião, Alfredo Gaspar, relator da comissão, apresentou um relatório pedindo o indiciamento de 216 pessoas, incluindo nomes sensíveis à base do governo, como Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). A leitura do documento gerou um forte embate verbal entre Gaspar e Lindbergh Farias no plenário.
No mesmo dia, Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke realizaram uma coletiva e protocolaram uma Notícia de Fato na Polícia Federal, acusando Gaspar de estupro de vulnerável. A denúncia alegava o envolvimento do parlamentar com uma adolescente de 13 anos no estado de Alagoas, crime que teria gerado uma criança hoje com 8 anos de idade. Gaspar refutou imediatamente as acusações, classificando-as como “abjetas” e uma “cortina de fumaça” para desviar o foco da CPMI. Como defesa, políticas. O relator colocou seu DNA à disposição da Justiça e afirmou que a mulher apontada como vítima desmentiu a história publicamente em vídeo.
O depoimento que muda o jogo.
O caso, que tramitava sem grandes andamentos, ganhou novos contornos neste mês de agosto, coincidindo com o anúncio de Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Horas após a confirmação da chapa, Lindbergh teria ligado para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, admitindo não possuir provas materiais contra Gaspar.
O estopim da reviravolta ocorreu nesta segunda-feira (10), com o vazamento do depoimento de um comerciante, apontando uma sofisticada trama para fabricar a denúncia. Segundo o relato, uma jovem identificada como Marcela teria sido recrutada por supostos assessores políticos para se passar pela vítima. O plano envolveria sustentar a falsa acusação de estupro e, posteriormente, arquitetar o “desaparecimento” da jovem para lançar suspeitas de queima de arquivo contra Gaspar.
O depoente afirmou à Polícia ter emprestado sua conta bancária para o recebimento de valores destinados a financiar os envolvidos na fraude, com pagamentos que somariam pelo menos R$ 16.500. Mais grave ainda, o comerciante relatou a ocorrência de reuniões virtuais em que o deputado Lindbergh Farias estaria supostamente presente, indicando ciência da movimentação.
Consequências jurídicas e políticas.
Pressionado pelas revelações, Lindbergh Farias veio a público negar qualquer conivência com a suposta fraude. O deputado classificou o episódio como “picaretagem” e exigiu que o comerciante que prestou o depoimento seja investigado a fundo. Devido ao foro privilegiado dos parlamentares, a denúncia e os inquéritos foram remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), ficando sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes.
Especialistas jurídicos alertam para o risco iminente aos mandatos dos acusadores originais. Caso fique comprovado o dolo na fabricação da queixa perante a Polícia Federal, Lindbergh e Soraya podem responder criminalmente por calúnia e denunciação caluniosa, cujas penas somadas podem chegar a 10 anos de reclusão. No âmbito político, a quebra de decoro parlamentar oriunda de uma condenação por crimes contra a administração da Justiça pode resultar na cassação dos mandatos e na inelegibilidade de ambos por oito anos, com base na Lei da Ficha Limpa.
Impacto eleitoral em 2026.
Enquanto a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) buscam desenredar os fatos, o impacto nas campanhas presidenciais já é medido. Nos bastidores, o comitê de campanha de Flávio Bolsonaro avalia que o episódio não apenas falhou em desgastar a imagem de Alfredo Gaspar, mas acabou fortalecendo a chapa da oposição, criando um novo e inesperado ativo eleitoral na corrida contra o atual governo.
Confiro o vídeo da Barbara, do canal no YouTube “TE ATUALIZEI” sobre o assunto.


