Semana dos Pais, momento em que a grande maioria felicita aquele ser humano responsável por ser o nosso porto seguro; a mão no banco da bicicleta quando éramos apenas uma criança vacilante, concluindo as primeiras pedaladas; o velho enjoado, brigão, que implicava com os deslizes e peripécias de um adolescente cabeça de vento, que sequer imaginava os riscos, algo perceptível apenas para a visão além do alcance de um pai.
A família é o principal núcleo de socialização primária e informal do indivíduo. Ao lado da escola e da igreja, forma a base responsável pela construção dos princípios e balizas morais que levaremos na mochila pela vida afora, até o nosso último suspiro. E é justamente o pai, com o seu amor condicional, contrabalanceando perfeitamente com o amor cego e incondicional da mãe, o principal “fiscal da vida” que podemos ter.
Diferentemente da mãe, com todos os seus instintos muito próprios da gestação e da maternidade, o pai ama racionalmente, apartando-se das paixões e cumprindo o importante papel de puxador de orelhas.
O medo que a frase “o seu pai está vindo” desperta só é dissipado e compreendido na vida adulta, quando agradecemos e entendemos a preocupação.
Pela experiência de vida, o pai sabe que as três fases do indivíduo devem ser respeitadas para que ele tenha uma jornada com menos obstáculos ou, pelo menos, disponha de mais ferramentas internas para superá-los. A primeira delas compreende a infância e a adolescência, quando somos dependentes dos pais como provedores sentimentais, morais e patrimoniais. Na segunda parte da vida, uma espécie de elo entre a infância e a vida adulta, aflora a rebeldia dos dezoito, dezenove anos, com a ilusão do “não preciso de mais ninguém”. Mais uma vez, o pai entra em cena, amortecendo os estragos com as reprimendas necessárias para recolocar o indivíduo nos trilhos.
Finalmente, na terceira e última fase, dos vinte ou trinta anos em diante, cabe ao velho pai monitorar e receber a gratidão de quem entendeu a importância da interdependência, da solidariedade entre os humanos, a verdadeira engrenagem que move o mundo.
Infelizmente, sabemos que a regra descrita nos parágrafos anteriores está cada vez mais ameaçada pelas exceções. Não só aquelas exceções próprias da seleção natural, responsável pela manutenção da raça humana, na medida em que elimina os menos “adaptáveis” à vida em sociedade, mas também pelas artificiais, impostas por um Estado que insiste em substituir os poderes paternos.
O exemplo mais visível é a doutrinação imposta desde a infância, ainda na creche, passando por todos os anos dentro de uma instituição de ensino. O Estado simplesmente arranca as rédeas dos pais, fazendo valer as suas próprias convicções. Ai daquele que questionar: não há margem para negociação. Observamos uma ruptura assustadora de conceitos tão caros de outrora, como o “pai herói”, o pai protetor e provedor da família, sendo substituídos por discursos que oferecem uma pretensa libertação do “patriarcado” e da “família tradicional”. Desarmonizar a célula familiar, impondo-lhe uma mudança brusca e artificial, gestada em laboratórios de universidades públicas, só me parece interessar a um único pai: o Estado.


