O Estado brasileiro falhou na defesa das mulheres e os números não permitem que o IBGE do Lula possa disfarçar. O crescimento dos casos de violência, estupro e feminicídio são sintomas persistentes do fracasso do governo. Diante disso, insistir nas mesmas fórmulas não é apenas ineficaz: é optar por ampliar o problema, assim como a maioria das “soluções” socialistas.
O debate público tem preferido atalhos ideológicos a diagnósticos rigorosos. A narrativa dominante frequentemente aponta a cultura ocidental e cristã como matriz da opressão feminina. Os dados da realidade, contudo, contam uma história diferente e bastante desconfortável para a turma da lacração.
O “Women, Peace and Security Index”, do Instituto para Mulheres da Universidade de Georgetown, elenca entre os piores países para as mulheres: Afeganistão, Síria, Iêmen, Paquistão, Iraque, Sudão do Sul, Chade, República Democrática do Congo, Sudão e Serra Leoa. De modo semelhante, levantamento da Fundação Thomson Reuters (2018) inclui Índia, Afeganistão, Síria, Somália e Arábia Saudita entre os mais perigosos.
O ponto é objetivo: nenhum desses países possui uma cultura majoritariamente cristã. Ainda assim, é precisamente essa tradição que segue sendo apontada, de forma recorrente, como responsável pela violência contra a mulher. A contradição é evidente ainda que, deliberadamente, frequentemente ignorada.
Quando se observam indicadores como inclusão econômica, participação política, segurança e proteção jurídica, são as sociedades ocidentais, moldadas por séculos de influência cristã, que apresentam os melhores resultados. Isso não elimina seus problemas, mas estabelece um fato relevante: foi nesse ambiente cultural que a mulher alcançou maior liberdade, proteção institucional e reconhecimento de direitos.
No Brasil, os índices alarmantes de violência deveriam impor uma pergunta incômoda: e se o problema estiver, ao menos em parte, nas ideias progressistas que orientam as políticas públicas? E se o equívoco não estiver apenas na execução, mas na própria concepção?
A violência não surge do nada. Agressores não são acidentes biológicos gerados espontaneamente. São, em grande medida, produto de um ambiente social que falha em formar, disciplinar e responsabilizar. O esgarçamento do tecido social, a desvalorização da família e a dissolução de referenciais normativos não são fatores periféricos são elementos centrais.
Será um avanço civilizacional a desresponsabilização do homem em relação ao seu papel de provedor e protetor? A tentativa de desconstruir o papel masculino sem oferecer parâmetros funcionais em seu lugar produziu um vazio. E o vazio, na realidade concreta, tende a ser ocupado por desordem, irresponsabilidade e, em muitos casos, violência.
A crítica ao chamado “patriarcado cristão”, repetida como fórmula explicativa, revela mais contaminação ideológica do que rigor analítico. A tradição cristã, especialmente por meio da atuação histórica da Igreja Católica, foi decisiva na superação de práticas que hoje seriam consideradas inaceitáveis e que ainda acontecem fora das sociedades ocidentais: o abandono de crianças, a desproteção feminina e a ausência de consentimento no matrimônio. Além disso, a Igreja consolidou o casamento monogâmico e fomentou redes concretas de proteção social, como hospitais e instituições de amparo.
Ignorar esse processo histórico não só empobrece o debate, mas compromete a formulação de respostas eficazes. Se o objetivo for, de fato, proteger mulheres e não apenas instrumentalizar sua dor será necessário abandonar respostas militantes e enfrentar questionamentos difíceis, lastreados na longa jornada que fizemos até aqui.
Não há solução simples nem atalhos retóricos. Há, sim, a necessidade urgente de um debate sério, honesto e orientado por evidências, no qual a segurança das mulheres deixe de ser um slogan para campanhas eleitorais e passe a ser tratada como prioridade concreta.

Artigo por: Dárcio Bracarense darcio.bracarense
Jornalista e Vereador de Vitória



